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domingo, 24 de julho de 2011

Princesa

    Princesa, reino soberana,
    o mundo aos meus pés!
    Braços abertos, noite deserta...
    Estrela sem céu!
    O que queres?
    Oh! lua entristecida.
    Afogar minha realeza?
    Destruir meus sonhos de menina...
    Sigo sem ver esses andarilhos.
    Vou audaciosamente pisando de mansinho.
    Sou a deusa, nada me tocará!
    Inadvertidamente caí  numa armadilha,
    mãos feridas, alma em prantos.
    Alguém para me salvar!
    A escuridão vem ao meu socorro
    Abraço-a, sinto o vazio inerte...
    Grito e nada!
    Só grilos e pirilampos se anunciam...
    Revejo minha vida, meu mísero poder!
    Fosse eu uma pulga, estaria mais majestosa!
    Loucuras!
    Ainda sou, sou uma prin...
    Minha voz se cala,
    recuso-me a admitir:
    Sou gente simplesmente...
    Admito: sou igual a todo mundo!
    Um clarão surge, a lua ilumina a noite
    As estrelas cintilam e eu, nao mais princesa,
    acordo do sonho!
    Levanto-me e  sinto a brisa em meu rosto,
    o cheiro da relva.
     Descubro--me princesa sim,
     apenas sem coroa e sem tapete vermelho!
     Meu reino é a aurora e tudo que a natureza me dá
     Nao quero castelo de ouro e frutas nos cestos.
     É muito bom ser camponesa,
     bailar com os pés desnudos e ter a sensação
     de estar nas nuvens e de ser plena em felicidade.
    
     Jurema Nascimento

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