Princesa, reino soberana,
o mundo aos meus pés!
Braços abertos, noite deserta...
Estrela sem céu!
O que queres?
Oh! lua entristecida.
Afogar minha realeza?
Destruir meus sonhos de menina...
Sigo sem ver esses andarilhos.
Vou audaciosamente pisando de mansinho.
Sou a deusa, nada me tocará!
Inadvertidamente caí numa armadilha,
mãos feridas, alma em prantos.
Alguém para me salvar!
A escuridão vem ao meu socorro
Abraço-a, sinto o vazio inerte...
Grito e nada!
Só grilos e pirilampos se anunciam...
Revejo minha vida, meu mísero poder!
Fosse eu uma pulga, estaria mais majestosa!
Loucuras!
Ainda sou, sou uma prin...
Minha voz se cala,
Minha voz se cala,
recuso-me a admitir:
Sou gente simplesmente...
Admito: sou igual a todo mundo!
Um clarão surge, a lua ilumina a noite
As estrelas cintilam e eu, nao mais princesa,
acordo do sonho!
Levanto-me e sinto a brisa em meu rosto,
o cheiro da relva.
Descubro--me princesa sim,
apenas sem coroa e sem tapete vermelho!
Meu reino é a aurora e tudo que a natureza me dá
Nao quero castelo de ouro e frutas nos cestos.
É muito bom ser camponesa,
bailar com os pés desnudos e ter a sensação
de estar nas nuvens e de ser plena em felicidade.
Jurema Nascimento
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